No ano passado, mais de R$ 20 bilhões em contas correntes e mais de 226
mil veículos sofreram bloqueios por meio do Sistema “online” de
Informações ao Judiciário (Infojud) para acessar as declarações de
Imposto de Renda (IR) de contribuintes dos últimos cinco anos, do
Bacenjud, para contas bancárias, e do Renajud para automóveis de
devedores.
A tendência é que o cerco aos devedores se feche ainda
mais nos próximos anos, principalmente para aqueles que não possuem
patrimônio passível de penhora. Neste caso, será aplicada a teoria da
“disregard of legal entity” – desconstituição da personalidade jurídica –
redirecionando a execução para a pessoa física dos sócios.
Diante
desse grave transtorno, vem sendo disponibilizado mecanismos que
blindam o patrimônio da empresa e dos administradores, ofertando
garantias legais que obedeçam à ordem cronológica do artigo 11 da Lei nº
6830/80 (Lei de Execução Fiscal) e do artigo 655 do CPC para a penhora
ou arresto de bens.
Dos mecanismos existentes, versamos sobre
aquele que vem tendo melhor resultado, economia e fundamento jurídico
para essa finalidade: Debêntures da Vale do Rio Doce S/A
Não
existe, no Brasil, outro ativo financeiro que reúna os benefícios e as
características como esse título, por ser idôneo e por não estar
prescrito, sem mencionar o deságio entre todas as opções presentes no
mercado. Há inúmeras decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ)
sobre a aceitação desse título em garantia de execuções fiscais e
extrajudiciais.
A maior credibilidade acontece por meio da
custódia de uma instituição bancária, re s ponsável por fazer a
transferência mediante emissão de ordem de transferência de ativos
escriturais, demonstrando, assim, toda a segurança no negócio jurídico,
não restando dúvidas sobre a legitimidade, seriedade e segurança da
debênture oferecida como garantia de qualquer execução ou, até mesmo,
para integrar o patrimônio de empresas e pessoas físicas.
O STJ
decidiu que as Debêntures emitidas pela Cia. Vale do Rio Doce podem ser
admitidas como garantia de execução fiscal, logo, entendo que os títulos
em comento estão inseridos no conceito do artigo 11 da Lei de Execuções
Fiscais por sua imediata liquidez e cotação em bolsa de valores.
Registre-se que não é o caso de títulos emitidos nominados de
‘Obrigações ao Portador’.
Destaco a conceituação de debênture,
como título de crédito, o qual retrata um empréstimo por parte de uma
pessoa jurídica junto a terceiros e que assegura a seus detentores
direito contra a emissora, na forma constante da escritura de emissão.
Título negociável em Bolsa de Valores, portanto penhorável.
Concluindo,
é aconselhável agir para proteger seu patrimônio antes de se receber a
visita de um oficial de Justiça. O ideal é que se adquira esses bens tão
logo se tenha ciência da execução fiscal ou do despacho ordenando a
expedição de mandado de penhora.
Fonte: Agência Brasil
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